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As mudanças estruturais que estamos ignorando.

  • Foto do escritor: Carlos Longo
    Carlos Longo
  • há 50 minutos
  • 2 min de leitura


Há algum tempo venho refletindo sobre como compartilhar ideias com C-levels, Reitores, gestores acadêmicos e lideranças do ensino superior de forma a estimular um debate construtivo. Estamos numa indústria em disrupção com uma janela de oportunidade gigante nos próximos três anos — para quem acredita, como eu, que crescimento sustentável passa pela qualidade do aprendizado e pela quádrupla hélice do conhecimento: ensino, pesquisa, mercado e experimentação.


A partir de agora, quinzenalmente, a SABRE Inovação e Gestão Acadêmica trará ao LinkedIn e ao Instagram debates sobre inovação e gestão sustentável no ensino superior — regulado ou não.


Neste primeiro paper: as mudanças estruturais que estamos ignorando.


Continuamos debatendo sintomas em vez de causas. Discutimos os resultados ruins dos nossos processos quando deveríamos estar discutindo soluções e oportunidades que passam na nossa porta. Como país, já perdemos trens históricos. Não podemos perder este.

O novo marco legal do EAD — que deveria se chamar de marco do Ensino Superior — e os novos referenciais de qualidade propõem uma visão mais moderna e dinâmica: um guia para inspirar inovação, não uma diretriz engessada com fórmulas prontas. E o que vemos na prática? Uma década de soluções comoditizadas: e-book, videoaula e exercício de fixação com enxurrada de tecnologia digital de baixo impacto educacional e sem mediação pedagógica. O resultado está nos números: evasão de quase 50% no presencial e mais de 60% no EAD, com desempenho pífio no ENADE, ENAMED e no mercado de trabalho.


A maior mudança ainda não foi capturada.


Não enxergamos com clareza a transformação no estilo de vida dos nossos estudantes nem a demanda real do mercado por mão de obra qualificada — com formação digital, empreendedora e capaz de combinar inteligência humana com IA generativa nos ciclos produtivos de serviços, agronegócios, TI e indústria.


Adicionar TDICs e IA para otimizar processos mecanizados pode reduzir custos no curto prazo. Mas não trará sustentabilidade para uma indústria que concentra 85% do market share matrículas no ES privado definindo o futuro do ensino superior brasileiro. O estudante quer ensino baseado em vivências, experimentação e empregabilidade. O mercado quer profissionais com consciência ESG, alinhados às ODS e com competências para desenvolver soluções reais.


E nós? Continuamos debatendo como pontuar melhor no ENADE/ENAMED.


Uma formação transformadora, centrada na persona do estudante, teria como consequência natural bons resultados nas avaliações externas — e, principalmente, no mercado. Não existe fórmula mágica, mas existe análise crítica para estruturar currículo, métodos e estratégia de mercado orientados ao crescimento sustentável.


Algumas perguntas diretas para vocês:

• Você conhece a persona do seu estudante e o que ele realmente precisa?

• Seu portfólio está alinhado ao arranjo produtivo regional?

• Sua IES usa IA e metodologias ativas — mas seu corpo docente está capacitado para isso?

• Suas lideranças estão preparadas para inovar, ou a prioridade ainda é cortar custos para segurar margens que há anos se deterioram?


Concorde ou discorde — mas me diga: qual é a sua visão para o ES e para a sua IES a partir de 2027?


No próximo paper: ensino híbrido e os desafios da transição para o novo marco regulatório.

 
 
 

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